Sessões do Cineclube Âncora de junho exibirão documentários realizados por mulheres

Cena do filme “Céu, Vento, Fogo, Água, Terra”, de Naomi Kawase

O recorte temático se relaciona com as “Poéticas do Feminino”, eixo norteador das ações e eventos do Porto este ano

Durante o mês de junho, o Cineclube Âncora, iniciativa criada em 2017 pelos alunos do Curso Básico de Audiovisual, exibirá documentários realizados por mulheres. Intitulada como “Mostra MNEMÓSINE”, a seleção dos filmes foi motivada pela temática trabalhada este ano pela escola Porto Iracema das Artes, “Poéticas do Feminino”, conduzindo a curadoria dos filmes por meio do gancho da memória, passando pelas lembranças dolorosas da ditadura militar, por memórias afetivas sobre quem realmente somos e nosso lugar no mundo. Serão apresentados sete produções, durante todas as quartas-feiras de junho (nos dias 6, 13, 20 e 27), a partir das 14h, no auditório do Porto. O acesso é gratuito e aberto a todos os interessados. Como de costume, após as exibições de cada dia, haverá um debate com uma convidada, que abordará as questões do filme junto ao público.

Com exceção do dia 27, em que a exibição será de apenas uma obra, as demais sessões serão de duas produções do gênero documentário que conversem com as narrativas de animação e biografia. As obras são de diretoras de diversos países. Do Brasil, será exibido o curta “Torre”, de Nádia Mangolini, enquanto de Portugal o filme escolhido foi “Repare Bem”, de Maria de Medeiros. Já do Japão, a obra “Em seus braços”, de Naomi Kawase, foi a selecionada. Do Irã, as representantes serão Forough Farrokhzad como o seu “A Casa é Escura” e Samira Makhmalbaf com “A Maçã”. Para fechar o mês, será exibido “No Home Movie”, de Chantal Akerman, da Bélgica.

Entre as convidadas confirmadas para as rodas de conversa após os filmes, estão Ticiana Augusto Lima e Luciana Vieira, da Tardo Filmes; Kennya Mendes, da Vila das Artes; e Camila Vieira, da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).

Confira as sinopses dos filmes programados para cada sessão.

 

[Sessão de 06 de junho]

Torre, filme de Nádia Mangolini (Brasil, 2017, 18min)

Sinopse: Quatro irmãos, filhos de Virgílio Gomes da Silva, o primeiro desaparecido político da ditadura militar brasileira, relatam suas infâncias durante o regime.

Repare Bem, filme de Maria de Medeiros (Brasil/Portugal/Espanha, 2013, 94min)

Sinopse: O documentário aborda a história de três gerações de mulheres que sofreram perseguição política a partir do relato de Denize Crispim e Eduarda Leite, duas anistiadas pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.

Debate com os realizadores do Cineclube Âncora


 

[Sessão de 13 de junho]

Em seus braços – Naomi Kawase (Japão, 1992, 40min)

Sinopse: O início de uma odisseia íntima (ou um road movie doméstico) em busca do pai biológico que nunca conheceu, tendo como pistas apenas o registro familiar e uma foto.

Céu, Vento, Fogo, Água, Terra – Naomi Kawase (Japão/França, 2001, 40min)

Sinopse: Um recado telefônico conta a Kawase sobre a morte de seu pai. Mais de oito anos se passaram desde sua busca em “Em seus braços”. Ela assiste ao filme novamente com suas amigas e enfrenta sentimentos ambíguos ao ver as entrevistas de sua mãe biológica e de sua mãe adotiva sobre o pai. Ela ainda não superou o abandono, a dor, as dúvidas existenciais. Subitamente, ela decide tatuar a mesma tatuagem que seu pai tinha em vida. Kya Ka Ra Ba A é uma palavra budista que em sânscrito significa Kya – céu, Ka – vento, Ra – fogo, Ba – água e A – terra e, por extensão, se aplica a tudo o que existe no mundo.

Debate com Ticiana Augusto Lima e Luciana Vieira (Tardo Filmes)


 

[Sessão de 20 de junho]

A Casa é Escura – Forough Farrokhzad (Irã, 1963, 22min)

Sinopse: O aclamado curta metragem da iraniana Forough Farrokhzad é uma visão do sofrimento na vida de uma colônia de leprosos focalizando a condição humana e a beleza das criações divinas. As imagens são intermediadas com declamações de poesias de Farrokhzad, do Velho Testamente e do Alcorão, e algumas falas dos personagens reais. Foi o único filme que ela dirigiu antes de sua morte em 1967. Apesar da pouca atenção recebida fora do Irã, foi considerado desde seu lançamento como um marco do cinema Iraniano abrindo caminho para o movimento new wave que eventualmente aconteceria.

A Maçã, filme de Samira Makhmalbaf (Irã/França, 1998, 86min)

Sinopse: A maçã baseia-se na história real de duas garotas gêmeas que viveram trancadas dentro de casa por doze anos, sem nenhum contato com o mundo exterior. A mãe é cega e o pai seguem o extremismo do antigo alcorão. Denunciados pelos vizinhos ao Serviço Social, um dia, são descobertas, começando a readaptação das meninas ao novo mundo.

Debate com Kennya Mendes (Vila das Artes)


[Sessão de 27 de junho]

No Home Movie, filme de Chantal Akerman (Bélgica/França, 2015, 113min)

Sinopse: Em seu último documentário, a cineasta belga Chantal Akerman revela um comovente retrato de seu relacionamento com a mãe, uma sobrevivente de Auschwitz, cujo passado e ansiedade crônica tiveram enorme influência no trabalho da filha. Juntas, elas revisam suas preocupações temáticas envolvendo gênero, sexo, identidade cultural, tédio, solidão e manias. Um perfil sóbrio e profundamente íntimo de sua personagem nos meses que antecederam sua morte.

Debate com Camila Vieira (Associação Brasileira de Críticos de Cinema – Abraccine)

 

Sobre o Cineclube

O Cineclube Âncora foi criado por alunos do Porto, em 2017, com a proposta de ser uma extensão da experiência da sala de aula do Curso Básico de Audiovisual. Este ano, as sessões do Âncora acontecem quinzenalmente, sempre às quartas-feiras à tarde, no auditório do Porto.

Sobre a Escola

O Porto Iracema das Artes é uma escola de criação e formação em artes do Governo do Estado do Ceará/ Secretaria da Cultura, sob a gestão do Instituto Dragão do Mar (IDM). Criada em 29 de agosto de 2013, desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com a oferta de cursos básicos e técnicos, além de Laboratórios de Criação. Todas as ações oferecidas são gratuitas.

 

Serviço:

O quê: “Sessões do Cineclube Âncora de junho exibirão documentários realizados por mulheres”

Quando: 06, 13, 20 e 27 de junho, a partir das 14h

Onde: Auditório do Porto Iracema das Artes (Rua Dragão do Mar, 160, Praia de Iracema)

GRATUITO

 

 

 

 

Assessoria de Comunicação Porto Iracema das Artes | Eduardo Sousa

Publicado em: 30/05/2018