No dia do artista visual, O GRIVO apresenta “Intervalo”, trabalho inédito feito em confinamento social

Grupo já foi tutor do Laboratório de Artes Visuais da Escola Porto Iracema das Artes

É comum associar as artes visuais ao universo imagético, mas a verdade é que a principal marca dessa área artística é o hibridismo de linguagens. Fotografia, pintura, ilustração, colagem, arte sonora, performance, intervenção urbana e desdobramentos em audiovisual são, todas, possibilidades que podem compor as criações as artes visuais.

Um grupo que explora esse hibridismo com maestria é o duo mineiro O GRIVO. E nesta sexta-feira, 8 de maio, em que é comemorado o Dia do Artista Visual, Nelson Soares e Marcos Moreira Marcos dão uma amostra disso com o trabalho inédito “Intervalo”.

Para celebrar a data e refletir sobre o isolamento social necessário que o mundo inteiro está adotando na luta contra a pandemia do novo coronavírus, a dupla oferece uma experimentação sonora e audiovisual a partir destes novos tempos em que um artista precisa estar distante do outro.

Sem se adequar às novas urgências e outros formatos impostos pelas lives, tão comuns neste momento em que todos precisamos ficar em casa e buscamos alguma distração, o grupo que já foi tutor do Laboratório de Artes Visuais da Escola Porto Iracema das Artes, com o projeto Zona de Pressão (Tiago Alves e Roberto Borges), propõe um outro tempo para ouvir, observar, improvisar e criar.

Confira, abaixo, o vídeo “Intervalo” e um texto de O GRIVO sobre o trabalho.

“O trabalho Intervalo é uma tentativa de exploração da possibilidade de propor a fruição on-line de um trabalho de criação do O Grivo.

Mesmo que a pandemia tenha alterado radicalmente o dia a dia de nosso trabalho (impedindo principalmente o encontro dos dois músicos / compositores / artistas cujo objeto central de interesse é a improvisação), ao contrário de ter gerado uma uma pausa, nos colocou em movimento no sentido de encontrar outras maneiras de improvisar / compor / escutar. O tempo mais lento gerado pelo confinamento trouxe também uma escuta e uma forma de improvisar diferentes…

A resposta mais recorrente à impossibilidade de alguns músicos tocarem juntos, no mesmo espaço, têm sido as inúmeras “lives”. Essa resposta nos parece um tanto incongruente com nossa linguagem.

O trabalho do O Grivo tem características difíceis de serem compatibilizadas com este formato.

  • As informações visuais em jogo são mais complexas que apenas o registro dos músicos lidando com seu instrumentos;
  • A qualidade do som que o ouvinte receberá é fundamental na fruição do trabalho; a escuta num par de auto falantes de um computador pode ser mortal para a apreciação dos sons e das estruturas musicais;
  • E ainda, nosso trabalho parece demandar um tempo do ouvinte/ espectador diferente daquele em que no meio de mil posts da rede social alguém escuta um pequeno trecho pra ver se é capturado ou não. Como se fosse necessária uma disposição mais profunda para um mergulho num outro tempo e numa outra vibração.

Daí surgiu a possibilidade de uma espécie de correspondência improvisada. Algumas camadas de informação visual e musical que vão se sobrepondo. Os músicos / artistas trocam estas camadas que vão se somando, contradizendo, afirmando, bagunçando, ganhando vida.

No caso desta primeira experiência, um registro visual do movimentos de algumas teias de aranha ao vento é o gatilho para várias improvisações que vão sendo articuladas. Um dos músicos, mesmo que não em tempo real, precisa lidar com o que recebe do outro numa determinada parte do filme; e ainda propor para outros trechos algo que movimentará o primeiro músico.

Intervalo é fruto desta experiência.”

Sobre O Grivo 

(Nelson Sares e Marcos Moreira Marcos)

Em fins de 1990 O Grivo realizou seu primeiro concerto em Belo Horizonte, iniciando suas pesquisas no campo da “Música Nova”. Interessado na expansão do seu universo sonoro e na descoberta de maneiras diferentes de organizar suas improvisações, o grupo vem desenvolvendo sua linguagem musical. Em função da busca por “novos” sons e por possibilidades diferentes de orquestração e montagem, O Grivo trabalha com a pesquisa de fontes sonoras acústicas e eletrônicas, com a construção de “máquinas e mecanismos sonoros”, e com a utilização, não convencional, de instrumentos musicais tradicionais.

Em consequência desta pesquisa, que leva ao contato com os objetos e materiais mais diversos, cresce a importância das informações visuais e da sua organização nas montagens do grupo. A isto se soma um diálogo, também ininterrupto, com o cinema, vídeo, teatro e a dança. Nas instalações / concertos o espaço de fronteira e interseção entre as informações visuais e sonoras é o lugar onde se constrói nossa experiência com conceitos como textura, organização espacial, sobreposição, perspectiva, densidade, velocidade, repetição,
fragmentação, etc.

A proposição de um estado de curiosidade e disposição contemplativa para a escuta e a discussão das relações dos sons com o espaço são as idéias principais sobre as quais se apóiam os trabalhos do grupo.

Sobre a Escola

O Porto Iracema das Artes é a escola de formação e criação em artes do Governo do Estado do Ceará, ligada à Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, sob gestão do Instituto Dragão do Mar (IDM). Criada em 29 de agosto de 2013, há seis anos desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com a oferta de Cursos Básicos e Técnicos, além de Laboratórios de Criação. Todas as ações oferecidas são gratuitas.

SERVIÇO

O que: No dia do artista visual, O GRIVO apresenta “Intervalo”, trabalho inédito feito em confinamento social

Quando: 8 de maio de 2020

Confira, também, a lista de indicações culturais na área de Artes Visuais.

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Assessoria de Comunicação Porto Iracema das Artes | Publicado em 08/05/2020