Negritude feminina, travestis na ditadura, biografias na cidade e maquinaria cênica norteiam espetáculos na 7ª Mostra de Artes do Porto Iracema

Os artistas do Laboratório de Teatro 2019 se apresentarão em Fortaleza e Sobral, a partir do próximo domingo, dia 8 de dezembro. Toda a programação é gratuita.

Quatro trabalhos do Laboratório de Teatro do Porto Iracema compõem a programação da 7ª Mostra de Artes da Escola, que acontece durante todo o mês de dezembro. As apresentações serão realizadas entre os dias 8 e 18 deste mês, em Fortaleza e Sobral. O evento marca a finalização dos processos criativos dos artistas que integram o laboratório deste ano.

A programação será aberta neste domingo (8), em Fortaleza, com a apresentação do espetáculo “Miolo de pote”, do Projeto Negritude Feminina na Tribo Kariri, do coletivo Iamís Kariri. A investigação cênica parte da ideia de um “corpo ancestral” que vem das artistas-mulheres-pretas envolvidas na pesquisa junto às suas mães ancestrais, sejam elas as mulheres das suas famílias, as mestras da cultura popular e dos movimentos sociais do Kariri ou as mães que as protegem e guiam seus passos de um lugar distante. A estreia será no Teatro B de Paiva (Porto Dragão), partir das 19h, com entrada gratuita.

Nos dias 12, 13 e 14, as apresentações acontecerão em Sobral, na Praça do Amor, sempre a partir das 20h. O Coletivo Toca da Matraca compartilha com o público a finalização do projeto “Mapa do Flaneur”, obra que coloca em fricção a biografia da cidade com as biografias de seus performers em um diálogo entre corpo, memória e cidade.

Nos dias 16 e 17, é a vez do Outro grupo de Teatro apresentar o trabalho “Onde estavam as travestis durante a ditadura?”. A partir da não-ficção, o trabalho discute o período da ditadura civil-militar brasileira a partir do olhar da população LGBT, experimentando o que o grupo formado por Nicole Lessa, Helena Vieira e Tavares Neto chama de instalação cênica e documentário cênico. A apresentação será no Centro de Narrativas Audiovisuais do Porto Iracema (CENA 15), às 19h. O acesso é gratuito.

O quarto trabalho desenvolvido no Laboratório de Teatro deste ano é “Alquimia teatral”, da Trupe Motim de Teatro, de Quixeré. O grupo encerra a MOPI no dia 18 de dezembro com uma apresentação no Pátio do Porto Iracema, a partir das 19h. A pesquisa laboral de teatro de animação, que encena o texto de Henrique Oliveira, integrante do coletivo, borra as fronteiras das linguagens do teatro, das artes visuais, da física mecânica e do misticismo para criar uma carruagem-máquina, trazendo variadas formas de manipulação de bonecos.

Confira as sinopses e fichas técnicas dos espetáculos:

– Espetáculo “Miolo de pote”
Projeto Negritude Feminina na Tribo Kariri

Foto: Jaque Rodrigues

O que tem no fundo de um pote? No fundo do nosso pote tem água, e água é vida. Temos vidas e histórias para miolar. Miolo de pote é um acontecimento cênico elaborado a partir da pesquisa “Negritude feminina na Tribo Cariri” que se enveredou pela investigação de um “corpo ancestral” advindo das referências das artistas-mulheres-pretas envolvidas na pesquisa junto às suas mães ancestrais, sejam elas as mulheres das suas famílias, as mestras da cultura popular e dos movimentos sociais do Kariri ou as mães que as protegem e guiam seus passos de um lugar distante. O experimento é um convite à cura, e à reconexão àquilo que nos permite perceber que “os nossos passos vem de longe” e seguem para longe, não havendo cortes secos entre as existências.

Ficha técnica:
Grupo responsável pelo desenvolvimento da pesquisa: Iamís Kariris (Jordlyane Almenida, Lorenna Lima, Lucivania Lima, Fernanda Jayne, Viviany Diniz, Carla Hemanuela, Maria Macêdo, Jaque Rodrigues, Cléo Zeferino)
Elenco: Jordlyane Almenida, Lorenna Lima, Lucivania Lima
Composição sonora: Fernanda Jayne, Viviany Diniz
Figurinos: Carla Hemanuela
Iluminação e operação de luz: Jamal Corleone
Tutoria e provocadora cênica: Onisajé
Ensaiadora: Carla Hemanuela
Fotografia: Jaque Rodrigues
Preparadora musical: Diana Ramos

– Espetáculo e projeto “Mapa do Flaneur”

Foto: Jander Alcântara e Zeca

O Coletivo Toca da Matraca de Sobral – leva à praça pública importantes discussões acerca do amor, do gênero, da política e todas as questões que é estar vivo. A obra cênica Mapa do Flaneur coloca em fricção a biografia da cidade com as biografias de seus performers em um diálogo entre corpo, memória e cidade. O trabalho com processo de criação colaborativa tem encenação e dramaturgia de Jander Alcântara e tutoria de Eliana Monteiro (Teatro da Vertigem/SP).

Ficha técnica:
Encenação e dramaturgia: Jander Alcântara
Tutoria de Encenação: Eliana Monteiro
Tutoria de Iluminação: Walter Façanha
Performers: Felipe Castro, Lívia Fittipaldi, Malika, Thamires Coimbra, Raul Guimarães Xavier, Rodrigo Brasil, Suy Melo e Zeca.
Equipe técnica: Fran Nascimento, Joy Alves, Coletivo Lado B, Canta Mina, Bloco Siri Rica e Nós de Dança
Agradecimento: SECJEL – Secretaria da Cultura, Juventude, Esporte e Lazer de Sobral.
Fotos: Jander Alcântara e Zeca

– Espetáculo e projeto “Onde estavam as travestis durante a ditadura?”

Foto: Té Pinheiro

“Onde estavam as travestis durante a ditadura?” é um projeto de investigação artística do Outro Grupo de Teatro sobre o período da ditadura civil-militar no Brasil partindo do olhar da população LGBT, em especial as travestis e transexuais. O projeto vem sendo desenvolvido pelo grupo desde 2016 e investigou dentro do Laboratório da Escola Porto Iracema das Artes a criação artística da cena a partir da não-ficção, da urgência do real.

“Onde estavam as Travestis durante a ditadura?” é um projeto artístico de imersão, a partir da perspectiva dos corpos LGBTs, em um dos períodos mais sombrios da história recente do nosso país. Essa pesquisa do Coletivo Outro Grupo tem o teatro como elemento principal nessa busca por outro olhar sobre a memória. Esse projeto é inspirado no famoso texto homônimo publicado no portal Pragmatismo Político de autoria da transfeminista Helena Vieira, proponente deste projeto.

Repensar a história, que quase sempre nos é dada a partir da perspectiva de heróis viris, másculos e heterossexuais como Frei Tito, Marighela e Vladimir Herzog, é uma característica norteadora desse processo. Não queremos desconsiderar essa narrativa merecidamente valorizada. Mas, percebendo a história como fruto da hegemonia de determinados corpos sobre outros, surge a necessidade de vê-la e revê-la o tempo todo. Sendo assim, levantamos a questão: onde estavam as travestis durante a ditadura?

O projeto é uma proposição da transfeminista Helena Vieira, com participações de Tavares Neto e Nicole Lessa, tutoria de Luis Fernando Marques (Grupo XIX – SP) e colaboração artística de Noá Bonoba.

Ficha Técnica:
Idealização: Helena Vieira e Tavares Neto
Direção: Luiz Fernando Marques
Elenco: Helena Vieira, Nicole Lessa, Noá Bonoba e Tavares Neto
Preparação de elenco: Noá Bonoba
Texto: Helena Vieira e Noá Bonoba
Produção: Tavares Neto
Figurino: Nicole Lessa
Confecção de figurino: Doralice Lessa

– Espetáculo “Alquimia teatral”

Projeto Alquimia teatral: Processos Laborais para o teatro de animação

Foto: Henrique Oliveira

A Trupe Motim de Teatro, de Quixeré, propõe uma pesquisa laboral de teatro de animação que borra as fronteiras das linguagens do teatro, das artes visuais, da física mecânica e do misticismo para criar uma carruagem-máquina, material base para o texto “Alquimista Jerônimo”, do integrante do grupo, Henrique Oliveira. Os desafios da pesquisa estão na investigação física/mecânica para a construção dessa carruagem-máquina, no aprimoramento de técnicas de corpo, voz e das mais variadas formas de manipulação de bonecos.

Ficha técnica:
Henrique Oliveira (diretor, texto, produtor, ator, manipulador, figurinista, construtor e designer)
Janaíle Soares (produtora, assistente de direção, atriz, manipuladora, construtora e designer)
Diego Anderson (ator, manipulador, construtor e eletricista)
Lucas Ribeiro (direção musical)
Siluêta Maria (Canção original)
Fátima Oliveira (assistente de confecção de figurinos)
Senhor Balá (assistente de construção)
Luciano Wieser (Tutor, assistência de direção, colaborador de texto e dramaturgia)
Maria Vitória (Preparação de elenco)
Jonatas Paulo (Marceneiro)

Sobre a Escola
O Porto Iracema das Artes é uma instituição da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, sob gestão do Instituto Dragão do Mar (IDM). Criada em 29 de agosto de 2013, com seis anos completados em 2019, desenvolve processos formativos nas áreas de Música, Dança, Artes Visuais, Cinema e Teatro, com a oferta de Cursos Básicos e Técnicos, além de Laboratórios de Criação. Todas as ações oferecidas são gratuitas.

Serviço
O quê: Negritude feminina, travestis na ditadura, biografias na cidade e maquinaria cênica norteiam espetáculos na 7ª Mostra de Artes do Porto Iracema
Quando: 8 a 18 de novembro
Onde: Fortaleza (Teatro B de Paiva – Porto Dragão, CENA 15 e Pátio do Porto Iracema) e Sobral
GRATUITO

Dia 08 | Domingo
[MOPI 7 – Teatro] Apresentação do projeto “Miolo de pote”
Com Coletivo Iamís Kariri
19h > Teatro B de Paiva – Porto Dragão (Rua Boris, 90, Praia de Iracema) > Gratuito

Dias 12, 13 e 14 | Quinta-feira a Sábado
[MOPI 7 – Teatro] Apresentação do projeto “Mapa do Flaneur”
Com Toca da Matraca
20h > Praça do Amor (Rua Dr. João do Monte – Centro – Sobral) > Gratuito

Dias 16 e 17 | Segunda e Terça-feira
[MOPI 7 – Teatro] Apresentação do projeto “Onde estavam as travestis durante a ditadura?”
Com Outro Grupo de Teatro
19 horas > CENA 15  (Rua José Avelino, 495, Praia de Iracema) > Gratuito

Dia 18 | quarta-feira
[MOPI 7 – Teatro] Apresentação do projeto “Alquimia teatral”
Com Trupe Motim de Teatro
19 horas > Pátio do Porto (Rua Dragão do Mar, 160, Praia de Iracema) > Gratuito

 

Assessoria de Comunicação Porto Iracema das Artes | Rafaela Leite
Publicado em 03/12/2019