Morfeu Gilson: o jovem que trilhou caminho em outras linguagens até reconhecer-se no Audiovisual

Morfeu Gilson (Foto: Té Pinheiro)

Morfeu não passa despercebido. Seja pela simpatia meio tímida, seja pelo talento, o rapaz encanta. E no Porto Iracema das Artes, lugar que o jovem frequenta desde meados de 2013, não é diferente. Durante esse período pela Escola, ele fez amizades, fincou parcerias profissionais e desenvolveu habilidades no setor de Audiovisual. Mas não foi ‘de primeira’ que a relação do jovem com o Audiovisual se estabeleceu. Ele trilhou um caminho por outras linguagens que o trouxeram até o mundo do Cinema. Conheça um pouco mais da história desse navegador

Os passos na arte

Puxando da memória, Morfeu Gilson, 24 anos, relata que foi entre os 14, 15 anos de idade o início de um convívio que dura até hoje: a sua relação com a arte. O despertar nasceu após dois cursos, um de Computação Gráfica e o outro de Design. Na mesma época, cerca de dez anos atrás, o então adolescente também participava da formação ‘Comunicação Popular’ do Cuca Barra, onde começou a conhecer “mais de perto” a linguagem fotográfica. O contato foi o pontapé para que o artista participasse de outros projetos artísticos. “Entrei junto com a galera do coletivo ‘Fora do Eixo (rede de coletivos culturais) como designer e fotógrafo da rede. Passei um mês em São Paulo desenvolvendo trabalhos para o grupo”, conta.

Em 2013, a paixão do morador do bairro Presidente Kennedy pelo Audiovisual começou a florescer no curso de Animação Gráfica Digital, ofertado pelo Porto Iracema das Artes, que iniciava as atividades naquele ano. “Nessa primeira formação comecei a me interessar cada vez mais pelo Audiovisual por conta desse comportamento da imagem junto com o som. E aí foi quando descobri que era possível fazer isso em movimento. Comecei a ficar curioso pelo assunto e resolvi me arriscar no Audiovisual”, diz Morfeu.

“Foi aqui que decidi que meu lugar era o Audiovisual. Já sabia fotografar, editar vídeo, sabia fazer gravação, pelo menos os macetes básicos de uma produção audiovisual”, ri. “Vou trabalhar com produção audiovisual!'”, recorda o momento da decisão

Ele também teve passagem formativa pelo Centro Cultural Grande Bom Jardim (CCBJ), quando participou do Laboratório Técnico de Comunicação. Mas foi em 2017, fazendo o percurso de Edição nos Cursos Básicos do Audiovisual do Porto Iracema, que Morfeu foi fisgado de vez pelo Cinema. Após a formaçao inicial no primeiro semestre, na segunda metade do ano, integrou a turma do Preamar, o programa de realização da Escola. Nessa experiência foi que ele pode pegar o “ritmo de set valendo”. As formações foram essenciais para o navegador.

A resistência no Audiovisual

Foto: Té Pinheiro

Nos corredores do Porto Iracema das Artes, a formação artística de Morfeu foi sendo consolidada. Principalmente, a escolha do Audiovisual como projeto de vida. “Foi aqui que decidi que meu lugar era o Audiovisual. Já sabia fotografar, editar vídeo, sabia fazer gravação, pelo menos os macetes básicos de uma produção audiovisual”, ri. “Vou trabalhar com produção audiovisual!'”, recorda o momento da decisão e abre novamente um sorriso tímido.

Determinado, o esforço do jovem na área e as oportunidades que encontrou durante as formações o ajudaram a construir sua trajetória profissional. Graças a essas possibilidades, o artista já pode contribuir financeiramente para o sustento da casa que divide com a mãe. “Hoje em dia eu consigo me sustentar pela arte, pelo Audiovisual. Minha única atividade profissional é no ramo. Os ‘corres’ ajudam na renda”, orgulha-se.

Os olhos de Morfeu brilham ao falar sobre a conquista, fruto de muita luta e perseverança de “um jovem negro, de periferia”, como ele faz questão de se afirmar. Para além das conquistas pessoais, ele acredita que sua vivência pode servir de exemplo para outros garotos vindos das periferias da Cidade.

“Hoje em dia eu consigo me sustentar pela arte, pelo Audiovisual. Minha única atividade profissional é no ramo. Os ‘corres’ ajudam na renda”, orgulha-se

Os próximos passos de Morfeu

“Me vejo continuando exercendo a minha função como montador, até porque é no Audiovisual que eu consegui sintetizar todas as formas de conhecimento e todas as linguagens artísticas que eu conheço”

Morfeu é um jovem decidido. Quer continuar no Audiovisual até se estabilizar financeira e profissionalmente no ramo e, depois, pensa em “andar pelas próprias pernas”, tocando projetos pessoais. Para isso, Gilson aposta na combinação entre a “correria” dos trabalhos e a constante formação. “A arte exige que você esteja sempre em construção, que você esteja sempre em um processo criativo porque afinal de contas, criatividade é uma coisa que é mutável. E esse mercado exige essa mutabilidade do profissional, de conhecer novas ideias, novos recursos, de aprender novas técnicas e essas escolas de formação (Porto Iracema das Artes, Cuca, CCBJ, Vila das Artes) tiveram um papel essencial nesse processo”, destaca.

“Me vejo continuando exercendo a minha função como montador, até porque é no Audiovisual que eu consegui sintetizar todas as formas de conhecimento e todas as linguagens artísticas que eu conheço”, resume. Sempre na busca por mais formação, Morfeu também planeja sua primeira graduação. “Se não conseguir passar no Cinema da UFC (Universidade Federal do Ceará), é [o curso de] Sistemas e Mídias Digitais. Meu caminho é esse mesmo, da arte e da cultura digital”, finaliza o artista, cheio de boas expectativas para o futuro.

Confira o vídeo gravado pelo Núcleo de Audiovisual (NAVE):

Fotos: Té Pinheiro

Assessoria de Comunicação Porto Iracema das Artes | Glauber Sobral