Cineclube Âncora discute questões laborais durante o mês de maio na mostra “Trabalhar Cansa”, no Porto Iracema

Mostra traz inovação no formato do cineclube em uma das sessões. Exibições acontecerão nas sextas-feiras de maio, no Auditório do Porto Iracema das Artes

Em tempos de Reforma da Previdência, flexibilização das relações de trabalho ocasionada pela Reforma Trabalhista, em vigor desde novembro de 2017, e desmantelamento da Ancine (Agência Nacional do Cinema), no mês de maio o Cineclube Âncora promove a mostra “Trabalhar Cansa”, trazendo filmes que atravessam a população em várias narrativas possíveis (e impossíveis) relacionadas ao trabalho.

Gratuita e aberta ao público, as sessões seguidas de debate acontecerão nos dias 10, 17, 24 e 31 de maio no Auditório da Escola Porto Iracema das Artes, sempre a partir das 18h30. Com curadoria de Kamilla Medeiros e Arthur Gadelha, responsáveis também pela produção da mostra junto a Pedro Emílio Sá, os filmes discutem temas como a exploração da força de trabalho, greve, o lugar feminino nas relações e trabalho, entre outros. A mostra também apresenta novidade no formato do cineclube no terceiro encontro.

A primeira sessão acontece no dia 10 de maio, com a exibição de dois filmes do cineasta alemão Harun Farocki: “Operários ao sair da fábrica” e “A expressão das mãos”. A sessão contará com a presença da cineclubista Virgínia Pinho, que conduzirá o debate em torno das realizações fílmicas do dia. Em 2017, Virgínia foi responsável pela realização da mostra “Harun Farocki – o trabalho com as imagens” no Cinema do Dragão e no Centro de Narrativas Audiovisuais – Cena 15, que teve como foco o mundo do trabalho.

No dia 17 de maio, a mostra aprofunda-se no debate sobre direito à greve e manifestações operárias, exibindo “Dias de Greve”, de Adirley Queiroz, e “ABC da Greve”, de Leon Hirszman. Quase duas décadas separam as películas do dia. Apesar disso, as problemáticas tratadas nos filmes têm o mesmo pano de fundo, presente nos dias atuais. Quem vai mediar o debate será o jornalista formado pela Universidade Federal do Cariri – UFCA e militante da corrente sindical Unidade Classista Antonio Lima Junior.

A penúltima sessão, a ser realizada no dia 24 de maio, traz uma inovação na configuração do cineclube: a sessão será dividida em duas partes. Na primeira metade, será exibido os filmes “Master Blaster – Uma Aventura de Hans Lucas na Nebulosa 2907n”, de Raul Arthuso, “Ruim é ter que trabalhar” de Lincoln Péricles e “Nada”, de Gabriel Martins. Os três curtas brasileiros expressam a relação cidade-trabalho e a força do título da Mostra. A segunda metade exibirá os filmes “Catadora de Gente” de Mirela Kruel, “Simbiose” de Júlia Morim e “Maré” de Amaranta César, realizados por mulheres e com narrativas centradas na figura feminina, ultrapassa os limites do trabalho, jogando luz também a questões como humanidade e ancestralidade.

Por fim, no dia 31 de maio, os participantes da sessão conhecerão as problemáticas envolvendo o trabalho em Taiwan com o longa “Cães Errantes”, de Tsai Ming-Liang. O enredo versa sobre uma família que vive em meio à solidão das grandes capitais e à incerteza de vagar pela cidade.

Confira, abaixo, as sinopses dos filmes organizadas por sessão.

Sessão 01 – 10 de maio

“Operários ao sair da fábrica”, de Harun Farocki (36min, 1995, Alemanha)

Partindo de um dos primeiros filmes dos irmãos Lumière, Farocki faz a montagem de cenas de 100 anos da história do cinema, que incluem variações do motivo “operários ao sair da fábrica”. Farocki extrai das imagens reflexões sobre a iconografia e a economia da sociedade de trabalho, mas também sobre o próprio cinema, que vai buscar os espectadores ao portão da fábrica e os rapta para o espaço privado.

“A expressão das mãos”, de Harun Farocki (30min, 1997, Alemanha)

Sinopse: A partir de trechos de filmes, Farocki explora a representação dos gestos da mão no cinema, estudando sua linguagem visual, simbolismo, automatismo e ritmo. Muitas vezes, as mãos traem as emoções que o rosto tenta esconder.

Sessão 02 – 17 de maio

“Dias de Greve”, de Adirley Queiroz (24min, 2009, Brasil)
Sinopse: Uma greve de metalúrgicos tem início em uma cidade nos arredores de Brasília. Muito mais do que o despertar para uma consciência de classe, os grevistas redescobrem uma cidade que já não lhes pertence.

“ABC da Greve”, de Leon Hirszman (85min, 1990, Brasil)

Sinopse: O filme retrata a primeira greve brasileira fora das fábricas do Brasil, cobrindo os acontecimentos na região do ABC paulista, em 1979. À frente das manifestações, estava o então jovem Luiz Inácio Lula da Silva.

Sessão 03 – 24 de maio

PARTE I:

“Master Blaster – Uma Aventura de Hans Lucas na Nebulosa 2907n” Raul Arthuso (19min, 2013, Brasil)

Sinopse: Um estranho fenômeno astronômico atingiu a nebulosa 2907N. O agente intergaláctico Hans Lucas é enviado para investigar o evento, que mudou os hábitos da população local.

“Ruim é ter que trabalhar”, de Lincoln Péricles (09 min, 2015, Brasil)

Sinopse: Alguns dias antes da Copa do Mundo no Brasil, um operário reflete sobre seu trabalho.

“Nada”, de Gabriel Martins (28 minutos, 2017, Brasil)

Sinopse: Bia acaba de fazer 18 anos. O final do ano se aproxima e com ele, o ENEM. A escola e os pais de Bia estão pressionando para que ela decida em qual curso vai se inscrever. Bia não quer fazer nada.

PARTE II:

“Catadora de Gente” de Mirela Kruel (18min, 2018, Brasil)

Sinopse: Um retrato de Maria Tugira Cardoso, que há 30 anos dedica sua vida à catação de lixo no Rio Grande do Sul. Com sua fala lúcida a respeito da vida, ela faz uma reflexão sobre as desigualdades sociais.

“Simbiose”, de Júlia Morim (20min, 2017, Brasil)

Sinopse: Uma conversa com Maria dos Prazeres de Souza, conhecida como Dona Prazeres, parteira tradicional, cuja trajetória de saberes é uma “simbiose entre o tradicional e o contemporâneo, entre o popular e o biomédico. Dona Prazeres transita entre mundos e realidades contrastantes e assim mantém uma constante incorporação e construção de saberes.

“Maré”, de Amaranta César (22min, 2018, Brasil)

Sinopse: Em um quilombo de Cachoeira, na Bahia, a força ancestral do mangue e da maré regem os ciclos da vida: partir, ficar, morrer, viver, recomeçar.

Sessão 04 – 31 de maio

“Cães Errantes” de Tsai Ming-Liang (135min, 2013, Taiwan/França)

Sinopse: Um pai e seus dois filhos vagueiam como marginais em Taipei. A família recebe a companhia de uma mulher, mas ela pode ser a chave para desenterrar emoções do passado. Temos a crise e a tentativa de acerto, a reorganização da ordem familiar e do mundo, a tentativa de harmonização dos desejos e frustrações. A sobrevivência, enfim.

Serviço

O quê: Mostra “Trabalhar Cansa”, do Cineclube Âncora

Quando: Dias 10, 17, 24 e 31 de maio, às 18h30

Onde: Auditório do Porto Iracema das Artes (Rua Dragão do Mar, nº 160 – Praia de Iracema)

GRATUITO

 

 

Assessoria de Comunicação do Porto Iracema das Artes | Lucas Casemiro

Publicado em 06/05/2019